Eclipse de Prazer


Enquanto vagueio
Na diáspora do sol
Você ab-roga a lua

Quando brilho
Você se esconde
E me absorve

Utilizando minha fragilidade
Quebrando meu escudo de vidro
Criado para lhe conter

Como quem teme o fogo
E morre de frio
Cultivei nossa prática

Em nossas delícias
Dentre quatro paredes
Ou nenhuma

Sua ferocidade dissipa-se
Nas horas em perco brilhando
Canso-me e retiro-me
E você radiante e única

Aparece dominando a noite
Como um gira-lua
Fecundando seu pólen
  
E desmanchando-se
Em meu delírio
Com um solavanco desperto
Admiro seu corpo

Mergulhado num sono profundo
Penso em continuar
Mas sem forças
Voto a dormir.

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