Viagem do Desterro à Plataforma do Abismo Hereditário



Preocupei-me com minha integridade
Recluindo os meus a uma nova jornada!
Programei-me para renovar
Mudar de espaço para espaçar minha vida.

Resguardei-me do fim
Ao fazer minhas malas
Repletas de solidão...

Minhas lembranças
Blindadas com o escudo
Do tempo e da dor...

Na mentira fidedigna
Reservei meus pecados
E entornei-os no rio fétido
Da perdição, maldição, satisfação...

Completei meus questionamentos

Antes que fosse interpelado!

Enquanto o que almejava
Era ficar só, embarcar só.
Contemplar o vazio
Das paisagens vista
Com os olhos de preocupação.

Por mais que pronto estivesse
Meus segredos, sonhos, fetiches...
...guardados em minha mala.
Como se bastasse para prendê-los
Mais do que a vontade de cultiva-los.

Neste vagão fúnebre
De meros devaneios sutis
Alimentando-me do mais puro
Desejo de viver, absorver!

Sinto o diminuir da velocidade
Devo estar próximo da plataforma.
Acho que meus pensamentos
Aliviados pelo silêncio da viagem
Foram dispersados ao vento!

Meus medos guardados em receios
Preparam-se para sucumbir
A uma nova jornada.

Finalizo minha curta viagem
E organizo novas fórmulas
Disfarçadas de novidades
Mas resguardada do passado.

Preciso desembarcar!

Sinto o solavanco do freio
Que como incentivo
Lembra-me da inevitável
Vida que me espera lá fora.
Não posso mais ficar preso
Aos vício e virtudes
Que surgem como fantasmas do passado...

Libertarei minha alma
Permitindo a elevação moral
Através de minha clara espiritualidade
Renovarei meus propósitos
E intuirei sobre novos sonhos

Ao sentir sobre meus pés
A firmeza de uma terra firme
Depreciei o instante que passou
E revivi em meu propósito
Tudo o que o que poderá ser novo

Perco minhas honras
Recrio meus desejos
Ao desembarcar na plataforma
Do abismo hereditário.

Diego Braz

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