Minha Voz
Eu grito
Ocupo a voz
Nos pequenos buracos
Do imperfeito cimento
Reforço o timbre
E grito mais alto
Todos me ouvem
Todos me ouçam
Nesse pequeno cortejo
Pequeno teatro
Caixinha de música
Murmuro e os conflitos
Da lamúria
Corre o tom
Aperfeiçoo seus zelos
Seus costumes e seus rompantes.
Penso, e continuo.
Ser pensante, penso muito em tudo.
Minha mente louca
Nunca quieta
Ou contente
Leio, leio, leio
As rimas das prosas poéticas
Em bits
De placas de estátua, obituários.
Receitas, técnicos, profissionalizantes.
Didáticos, poesias, crônicas, bulas, benzoato de cimetidina.
Ler não é livro
Ler é interpretar o mundo
Por mais uma forma
Ninguém me pergunta
E me sinto a vontade
Para falar tudo
Mesmo que não diga nada
Mesmo
Que as palavras que diga
Seja produto de minha confusa
Mente pensante
Reflexos elétricos
De minha atividade cerebral
Gosto muito de viver o mundo
A perfeição do universo
Me permite voar pelo cosmos
Como resposta para tolos
Crentes
Pura quântica
E no final
Último ato
Da reconstrução
Sentimos o desprezo
Pelos sentimentos
Que pensávamos
Possuir
Verdades indiscretas
Singelas brincadeiras de verdade.


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