Ninguendade


Dedos livres
Dedos leves
Dedos soltos

Minha língua
Minha vida
Minha ideia

Roubada
Absorvida
Sampleada

Enrugada na testa da compreensão
Disfarçando nosso sangue mestiço
Em convicções convenientes

Advindas do obscurantismo do velho mundo
Um mundo menos rico
Menos importante
Menos fundamental
Que os povos milenares que nos geraram

Dos negros minha fé
Dos índios meu respeito
Do Brasil uma nação mestiça
Sem lembranças do passado
Lutando para se descobrir
E definir sua derradeira origem

Negada as senzalas
Sugerida as catequeses
Influenciadas na cultura
Dominando os dominados
Aliciando os alienantes

Nas minhas bandeiras de luta
Manchadas de sangue e suor
Pelo vento que as tocam
Tremulando e corroendo as pontas
Ao eco dos absurdos
Que destoam da normalidade

Tentando empurrar garganta abaixo
Dessa pátria cansada e falida
Prestes a ruir no paternalismo do capital
Usufruto de um estado falido
Desmerecidos do consentimento da nação
Novamente minha língua
Roubada aos dedos leves
Na ruptura ideológica
Transformando nosso pensamento

Ó pátria amada, em seus seios
Onde nos alimentamos
Mas, acabamos por mordê-los.
Ao não aceitarmos seu lado matriarcal

Repetindo os obscenos gestos
Daqueles que se iludem ao pensar
Que podem destruir esta terra

E a memória dos meus ancestrais.

Poeta Diego Braz

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