Aceno as Bacantes
Discuto minha existência
E as palavras Indecisas,
Descompromissadas.
Como esmorecer?
Se todos em minha volta,
Sofrem mais que eu?
Carregam um peso bem maior que o meu?
Eu não posso,
Logo eu, o louco!
E esmorecendo
Dono desse corpo sujo,
Mundano de fartas experiências
Imundas.
De prazer provocatório
Insano e desprezível
Aos olhos de quem não sente o prazer.
Deleitar-se?
Como, logo eu?
Obrigado a viver
Tendo esse comodismo parasitário.
Só de pensar nas rotinas diárias
Roupa, casa, convivência
Tudo me incomoda
Me cansa os pensamentos
Incomodados das normas
Subversivas que tenho que suprir
Desprendido das mínimas normalidades
Que percebo ter
Tudo é tão anormal
Que minha anormalidade
Se encaixa pragmaticamente na normalidade
Tudo é tão obsceno
Que aceno às bacantes
Da bancada de minha janela
No ascender do amanhecer
Aceno, pois não me incomodam
Pelo contrário
Até convido alguns para me ajudar
A degustar a madrugada que se esvai.
A ajudar a não me perder no vazio instável
De minha imaginação incansável.
Não adianta, fujo para o vazio palpável
Subserviente do meu sexo.
O que seria vazio?
Partindo do conceito
Que este vazio se dá
Pela minha vida solitária.
Que o amor monogâmico
É obrigatório, indiscutível?
É insolúvel!
Esconder-me na mentira
Das ideias e dos desejos?
Deixando de viver de acordo com os instintos
De liberdade e desprendimento
Onde satisfaço a mim e a mais ninguém
Não, não mesmo.
Não eu!


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