Um Cigarro
Que entra como
Se esgueirando-se pelas arestas
Dessas cortinas que balançam com o vento
Queima as minhas costas descobertas
Meu corpo desperta
Pelo suor que me toma
Lembrando-me do inevitável tempo
Tempo de dormir
Tempo de acordar
E acordar lembrando do tempo
Perdido às madrugadas
Às reflexões, a lamúria pelo seu discorrer
Preocupo-me em usá-lo de todas as formas cabíveis
E inimagináveis
Não quero ser refém
Nessa vida
Desprendo-me,
Obrigações constantes
Que mal organizadas
Nos consome como o vento
Ao cigarro que fumo
Olho a janela do alto
Do meu apartamento
E vejo o trânsito corriqueiro
Tráfego, tráfico, transeuntes.
Todos transformados
Massas perdidas na inconstante loucura
Que por inércia
Acomete nosso fluxo
Interrompendo o principal objeto
O uso do tempo.
Cada pessoa lutando pela posse do tempo
E meu cigarro sendo consumido
Ao vento que por ele
Sente a inevitável horda desse tempo.


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